domingo, 5 de fevereiro de 2012

O rebanho

A minha causa é estranha a muitos,
O rubor na cara abstracta de quem não entende a liberdade,
O incómodo aparente que causa o querer ir além da cerca,
Deste lado só pastos plenos meticulosamente aparados,
Um riacho que jorra convenientemente sem dar sinais de seca,
Todos ruminamos o mesmo prado, todos bebemos a mesma água,
Não nos afastamos uns os outros perante a vara do pastor e a ferroada do cão que te abraça a perna,
Por vezes ficamos confusos,
Ás vezes queremos derrubar aquela cerca,
Mas ouvimos ao longe o cintilar dos badalos da multidão e prontamente nos juntamos a ela,
Queria eu passar a barreira de pau e arame ,
Aclamam que para lá estão caminhos agrestes e matreiros que se insinuam ao nosso olhar e logo engolem e derrubam para nunca mais voltarmos,
Mas como anseio eu percorrê-los , descobrir cada trilho, pernoitar em cada buraco e provar cada enxorrada.
Como queria me fundir com ele, petrificar e cobrir-me de musgo e para sempre estar feliz e perdida, estranha e sozinha, consciente e livre.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Balada da Madrugada

 Um dia hei de morrer plena e cheia de amor
Amor mal entregue, amor sofredor ou não fosse ele o amor,
Dêem me colinas e montanhas cascatas e mar
Que nunca chegariam á dor do que é amar
Da dor do que é ser poeta
Da dor do que é olhar e observar tudo o que perdi
Porque perdi o que nunca tive
Porque eu não sei o que é ter
Que seja a utopia de um velejador
O amor de um marinheiro
O descobrir de um descobridor
que seja a dor de um desesperado
É tudo o que eu sinto sou eu...sou mulher...sou dor

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A nossa vez..






Sempre tentei ser fiel ao que sou
Da pior maneira ou da melhor
Somos todos, somos um,
Somos gente, somos DESTINO,
Somos aquilo que Camões citou somos o que Saramago sonhou...
Somos liberdade, somos unos e indivisiveis,
Que ninguém pare a voz dos que criaram o Mundo,
Porque o Mundo sou eu,és tu somos Nós,
É a minha vez, é a tua vez...

Por Olhar e Ver



 Não me permito vocalizar os caminhos perturbados desta mente, não desabafo nada do que semeei e faz tanto tempo não colhia..medo incontido de escrever pois em tempos quando o fiz orgulhei-me de cada palavra que desenhava e hoje não tenho mais certezas, certezas do que sinto e a visão de profanar essa memória inquieta-me.
  O som do mar revela-me a alma e expõe-me assim nua e caída perante aquela que mais temo : eu própria.
  Eu conheço-me e estou cansada de tanto engenhar, empreitar nesta cabeça vertigens de ideias a meu ver tão ideais mas que ao mundo não interessam.
  Quem sou eu neste Mundo?Porque me tortura em pautas desta lirica macabra que me elucida e me afasta de tudo?Eu não quero saber mais!Eu não quero ver o outro lado!Porque não posso eu deitar-me na mesma cama do resto do Mundo?Porque é que toda a gente dorme e eu vagueio?
  Sinto-me só...o flautista encantou toda a gente e esqueceu-se de mim.
  Espanca escavava a sua campa com as suas próprias unhas, eu escavo a minha por olhar e ver.